terça-feira, 30 de março de 2010

O Jardim do Príncipe

Me roubaram a flor. Do perfume eu só sinto um acorde... Me trouxeram torpor, e um beijo velho ainda arde. Ria ó flor, do orvalho que te faz cócegas. Ria da dor, pois a poda, se deixarem que escolhas, enfeitará o quarto do Príncipe. Arrancam teus espinhos, ó flor, não para não te machucares, mas para que não os machuquem; Podam tuas folhas, ó flor, por pura vaidade, não para cresceres mais forte, mas para seres bela. Tratam tua terra, ó flor, não para dizer que te amam, mas para te conformares e acomodares por perto sempre. Mas, no fim, a poda engrandece-te, os espinhos fortalecem-te, e tu, flor, é transplantada para solos mais férteis: o jardim do Príncipe.

2 comentários:

Draco disse...

Bonito isso
Não uso de forma tão sutil e bela as palavras. As vezes menos diz mais

Gabriel disse...

poesia familiar.
muito bom!